Observo os avanços tecnológicos com brilho nos olhos, mas também com pé atrás sempre, como bom mineiro que sou. Escrever textos nesse blog me ajuda a organizar as ideias a medida que externalizo os diversos pensamentos que ocupam minha mente, e de quebra, encontrar alguém que tenha interesse em compartilhar opiniões sobre os temas em questão.
Mas voltando a falar sobre avanços tecnológicos, estamos naturalizando a presença constante dos dispositivos eletrônicos no nosso cotidiano. Acredito que esse é um caminho sem volta. Acordamos e dormimos com celular ao lado, passamos o tempo todo com relógio smart no pulso, etc. É aplicativo disso e daquilo. Quase tudo passa por eles. Para ser sincero, nem me lembro a última vez que peguei em dinheiro vivo.
Pode parecer que sou avesso a evolução, mas não é o caso. Adoro tecnologia e acredito que pode ser benéfico na vida das pessoas em vários contextos, seja em termos de otimização de tarefas, monitoramento de informações vitais do nosso corpo que apoiam em cuidados médicos, poder falar com uma pessoa que ta la no outro lado do mundo, poder trabalhar em casa, etc.
Porém, observo esse cenário de maneira crítica e realista. Aonde quero chegar com isso?
As empresas de tecnologia tentam vender seus algoritmos como imparciais, isentos de qualquer preconceito.
Mas isso é uma grande mentira!
A tecnologia é desenvolvida por seres humanos, que são parciais e possuem preconceitos inconscientes (ou não), consequentemente, sua obra carrega algo de seu criador.
Nesse contexto, compartilho um documentário sensacional, Coded Bias, que investiga o viés nos algoritmos depois que a pesquisadora Joy Boulanwini, do MIT, descobriu falhas na tecnologia de reconhecimento facial. E como os sistemas autoritários de vigilância, silenciosamente vem se fortalecendo e aumentando sua atuação.
Por que eu gastaria meu tempo livre assistindo isso?
Diria que pode abrir os olhos em relação a vários acontecimentos recentes e que listo a seguir:
Primeiro, a linha tênue entre vigilância e segurança (leia-se vigilância como forma de controle). Moro em Belo Horizonte, então vou citar realidade que é mais próxima de mim. Cada vez mais temos “Olhos Vivos” espalhados pela cidade, que já passam de 1100 câmeras. Uma manifestação cultural espontânea já é motivo para mobilizar dezenas de viaturas e agentes da polícia militar para dar fim a aglomeração (descrita como perturbação da ordem), geralmente de maneira truculenta e desmedida.
Se você é contra câmera, é a favor de bandido?
Não sou contra câmera! / Não sou a favor de bandido!
Sou a favor das liberdades individuais!
Segundo, você deve ter visto nos últimos tempos o aumento de notícias revelando prisões indevidas (em sua maioria de pessoas pretas) realizadas por meio de indicações de sistemas de segurança baseados em sistemas de reconhecimento facial. Como questionamos as decisões do sistema se ele sabe de tudo? A quem recorremos?
Terceiro, o que é feito com nossas imagens gravadas em espaços públicos e também privados?
Poderia continuar enumerando pontos problemáticos, mas para não me alongar, deixo para um próximo texto a abordagem mais aprofundada do tema.
Concluindo, assistir esse documentário pode ser um ótimo caminho, estimular o pensamento crítico e reflexões sobre nossa sociedade. Espero que gostem. Até a próxima!
Deixo aqui o trailer para quem se interessar:
Massa! Nunca tinha parado pra pensar nesse ponto de vista. Assistirei.
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